Falar de sono é falar de energia, humor, memória e saúde. Quando o sono falha, tudo fica mais difícil: a paciência encurta, a concentração some, o corpo dói e o dia rende menos. No consultório, em Guarantã do Norte, e também por teleconsulta, eu organizo o cuidado de forma prática: entendo o que está atrapalhando seu sono, diferencio insônia de apneia e de distúrbios do ritmo (como atraso de fase), e monto um plano sob medida que combine rotina, técnicas comportamentais e, quando necessário, medicação e exames.
Eu, Dr. Renato Cortez, explico passo a passo em linguagem direta, com acompanhamento próximo nas primeiras semanas, fase em que a melhora costuma aparecer.
O que são os transtornos do sono
“Dormir mal” não é diagnóstico. Transtornos do sono são condições com critérios bem definidos que mexem com a quantidade, qualidade e horários do sono. Os mais comuns no consultório são:
- Insônia (dificuldade para iniciar, manter ou consolidar o sono com impacto no dia seguinte).
- Apneia obstrutiva do sono (paradas respiratórias com ronco alto e sonolência diurna).
- Distúrbios do ritmo circadiano (relógio biológico “atrasado” ou “adiantado”).
- Hiperssonia (sono excessivo) e sonolência diurna.
- Parassonias (sonambulismo, terror noturno), mais comuns em crianças, mas também em adultos.
Meu papel é identificar qual é o problema, o que mantém o problema e por onde começar, integrando, quando preciso, outras áreas (clínica médica, odontologia do sono e otorrinolaringologia para avaliação de apneia).
Diferença entre insônia, apneia e distúrbios do ritmo do sono
- Insônia é um problema de regulação: a mente não “desliga” na hora certa, o corpo fica alerta e o sono fragmenta. Pode ser inicial (demora a pegar no sono), de manutenção (acorda várias vezes) ou terminal (acorda cedo e não volta).
- Apneia é um problema mecânico/respiratório: a via aérea fecha repetidamente, o oxigênio cai, o cérebro “acorda” para retomar o fluxo. Resultado: ronco, sono não restaurador, cefaleia matinal, sonolência e, às vezes, irritabilidade e queda de memória.
- Distúrbios do ritmo são problemas de timing: você até dorme, mas em horários que não batem com a vida. Ex.: atraso de fase (sono vai embora 1–3h da madrugada, acordar cedo vira tortura), adiantamento de fase (sono cedo e despertar precoce).
Diferenciar isso muda tudo, porque cada um pede estratégias específicas (CBT-I, luz da manhã, terapia de ritmos, CPAP/placa, manejo de cafeína).
Impacto dos distúrbios do sono na saúde física e mental
Dormir mal não é neutro. O corpo paga a conta: humor oscila, ansiedade aumenta, atenção cai, e sintomas físicos aparecem (dor, craving por açúcar, queda de desempenho). A longo prazo, alguns distúrbios, como a apneia, se associam a hipertensão, alterações metabólicas e risco cardiovascular.
Por isso, tratar o sono melhora saúde mental e física. Eu costumo medir resultado com coisas simples: latência para dormir, despertares noturnos, tempo total na cama vs. dormindo (eficiência), sonolência diurna e qualidade no dia seguinte.
Agende sua avaliação para Transtornos do Sono com o Dr. Renato CortezPrincipais causas dos transtornos do sono
Não existe uma única causa. Eu investigo misturas que variam de pessoa para pessoa: biologia, rotina, ambiente, comorbidades e medicações.
Alterações hormonais e metabólicas
Mudanças hormonais (período pós-parto, perimenopausa/menopausa, hipotireoidismo), deficiências nutricionais (ferro/B12/folato) e resistência à insulina podem piorar o sono. Em quem relata pernas inquietas, examino ferro/ferritina; em quem tem calores noturnos, discuto manejo do climatério. O objetivo é tratar a base quando ela impacta o sintoma.
Estresse, ansiedade e estilo de vida
Ruminação na cama, excesso de telas à noite, cafeína tarde, treino noturno intenso, horários variáveis e trabalho em turnos bagunçam o relógio. Em ansiedade e depressão, o sono é sintoma-chave; tratar o quadro de base é parte do plano. Eu ensino técnicas de CBT-I (compressão da janela de sono, controle de estímulos, restrição do tempo na cama, âncoras de rotina) e manejo de preocupações (agenda de preocupação fora do quarto, ritual de desaceleração).
Condições médicas associadas
Dor crônica, refluxo, asma, apneia, medicações (estimulantes em horário tardio), álcool e nicotina sabotam o sono. Em ronco alto, pausas respiratórias ou sonolência diurna importante, eu avalio apneia e, quando indicado, encaminho para otorrino e/ou polissonografia. Em casos selecionados, placas orais e CPAP entram no plano. O ponto é coordenar o cuidado para reduzir o alerta noturno.
Diagnóstico dos distúrbios do sono
Diagnóstico, para mim, é ferramenta de decisão. Antes de medicar, eu entendo qual é o distúrbio e o que mantém a dificuldade.
Avaliação clínica detalhada
Na primeira consulta, mapeio horários (hora de deitar/levantar), latência para dormir, despertares, ronco/apneias observadas, sonolência diurna, sonecas, cafeína/álcool, telas à noite, atividade física e ambiente (luz, ruído, temperatura, colchão). Também reviso humor/ansiedade, uso de medicações e comorbidades. O objetivo é montar um mapa do sono.
Questionários e histórico de sono
Uso escalas simples (ex.: Escala de Sonolência de Epworth, Índice de Gravidade de Insônia) e, quando possível, diário de sono por 1–2 semanas. Isso mostra padrões: horários irregulares, sonecas, latência longa, despertares. Em adolescentes e adultos jovens, atraso de fase é frequente; em pessoas que roncam e acordam cansadas, apneia sobe na lista.
Exames complementares quando necessários
Peço exames quando podem mudar a conduta: polissonografia ou estudo domiciliar em suspeita de apneia, oximetria noturna em casos selecionados, e avaliação clínica/otorrino quando há obstrução nasal, amígdalas aumentadas ou desvio de septo. Em pernas inquietas, avalio ferritina. Exame por exame, menos é mais, com foco no que vai orientar o próximo passo.
Tratamentos oferecidos para os transtornos do sono
Eu combino três frentes: terapias comportamentais específicas (CBT-I e terapia de ritmo), higiene do sono com propósito e, quando indicado, medicação. A ordem e a intensidade dependem do tipo de distúrbio e das preferências da pessoa.
Medicação quando indicada
Remédio para dormir não é primeira linha para insônia crônica, mas tem seu lugar bem indicado. Quando uso, explico tempo, risco de tolerância, efeitos e plano de retirada. Em ansiedade/depressão que bagunçam o sono, posso tratar o quadro de base com medicação adequada, o que melhora o sono indiretamente. Em apneia, o centro do tratamento não é remédio: é CPAP, placa e ajustes anatômicos/posicionais conforme avaliação especializada.
Meu princípio é: menor dose eficaz, pelo menor tempo necessário, sempre junto de estratégias comportamentais, porque é isso que sustenta o ganho.
Terapias cognitivas e de higiene do sono
CBT-I (Terapia Cognitivo-Comportamental para Insônia) é a terapia de referência. Na prática, eu aplico:
- Controle de estímulos: cama é para dormir (e sexo). Sem TV, celular, debates ou planilhas. Se não adormecer em ~20 minutos, levante, faça algo calmo em luz baixa e volte quando o sono voltar.
- Restrição/compressão do sono: reduzir temporariamente o tempo na cama para aumentar a pressão de sono, e então expandir conforme a eficiência melhora.
- Rotina de desaceleração: 60–90 minutos antes de deitar, regrinha de 3 passos: desligar telas, rituais previsíveis (banho morno, leitura leve), luz baixa.
- Manejo de preocupações: “agenda de preocupação” no fim da tarde, 10–15 minutos para escrever tudo e planejar primeira ação para cada item — para não levar a planilha mental para a cama.
- Luz e ritmo: exposição à luz da manhã 15–30 minutos (varanda, janela, rua), café até início da tarde, atividade física regular (o melhor exercício é o que acontece).
- Timing (ritmo circadiano): em atraso de fase, defino horário fixo de despertar + luz matinal consistente; em adiantamento de fase, postergar gradualmente horários.
Em apneia, além da avaliação especializada, oriento perda de peso quando indicado, higiene nasal, evitar álcool à noite e decúbito lateral se houver piora em supino.
Orientações para mudanças de hábitos e rotina
Pequenas mudanças somadas fazem diferença:
- Quarto: escuro, silencioso, fresco. Se não der para escurecer tudo, uso máscara; se o ruído incomoda, ruído branco ou tampões.
- Telas: reduzir brilho à noite, modo noturno, última checagem de mensagens até no máximo 1h antes.
- Alimentação: evito refeições pesadas muito tarde; álcool atrapalha a segunda metade do sono.
- Sonecas: se precisar, que sejam curtas (10–20 min) e antes do meio da tarde.
- Rotina: horário âncora para acordar (mesmo no fim de semana) ajuda a regular o relógio.
Tudo é combinado com a sua realidade, no turno de trabalho, filhos pequenos, estudos. Ajuste possível é ajuste que dura.
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