Quando alguém me procura, chega com um pedido simples: “quero voltar a funcionar”. Eu levo isso a sério. No consultório, em Guarantã do Norte (MT) e também por teleconsulta, eu organizo o cuidado em passos claros: entender o que está acontecendo, definir objetivos realistas e montar um plano possível de seguir.
Eu, Dr. Renato Cortez, trabalho com decisões compartilhadas, linguagem direta e acompanhamento próximo nas primeiras semanas, fase em que o tratamento ganha tração e começamos a ver as primeiras mudanças.
Abordagem humanizada para diferentes transtornos mentais
Eu parto do princípio de que cada pessoa tem uma história, um ritmo e prioridades próprias. Meu trabalho é alinhavar tudo isso com o que a ciência recomenda. Antes de falar em remédios ou técnicas, eu escuto: quando os sintomas começaram, o que piora, o que ajuda, como está o sono, a rotina, os vínculos e o trabalho/estudo. O plano nasce desse mapa e não é padrão, é estruturado.
O acompanhamento é tão importante quanto a escolha do tratamento. Nas primeiras 4–8 semanas, costumo marcar retornos mais frequentes para ajustar dose, revisar efeitos, checar adesão e remover barreiras práticas (horário de tomar, interação com rotina, estratégias de organização). Também falo abertamente sobre expectativas: tempo de resposta, sinais de melhora e como lidar com dias ruins sem jogar o processo fora.
Principais tratamentos psiquiátricos
Abaixo, descrevo os principais tipos de tratamento que uso e como eu os combino na prática.
Tratamento medicamentoso personalizado – escolha de antidepressivos, ansiolíticos, estabilizadores de humor e antipsicóticos de acordo com cada caso
Medicação não define o tratamento, mas muitas vezes é a peça que permite que o restante funcione. Eu uso remédios com um objetivo claro: reduzir a intensidade dos sintomas que impedem a vida de andar, como depressão, ansiedade, ataques de pânico, obsessões e compulsões, oscilações de humor, sintomas psicóticos, insônia importante.
- Como escolho: avalio quais sintomas são prioritários, histórico de resposta (o que ajudou, o que não funcionou), comorbidades (sono, dor crônica, TDAH), preferências e rotina.
- Como inicio: começo com dose baixa e subo devagar, explicando tempo de resposta e efeitos esperados. O objetivo é encontrar a menor dose eficaz.
- Como acompanho: nas primeiras semanas, marco revisões curtas para ajustar dose/horário e monitorar segurança. Quando estabiliza, podemos espaçar.
- Quando retirar: medicação não é sentença; é ferramenta. Assim que a base (sono, rotina, terapia, funcionalidade) estiver sólida, converso sobre redução gradual, com segurança e sem pressa.
Mais importante do que o nome do remédio é a razão de ele estar no plano e como ele está sendo usado. Eu deixo isso claro desde o início.
Psicoterapia associada ao tratamento médico – integração entre acompanhamento psiquiátrico e suporte psicológico
A psicoterapia é onde você aprende habilidades que ficam para a vida: identificar padrões de pensamento e comportamento, organizar o dia, lidar com emoções intensas e construir prevenção de recaída. Eu integro o plano com psicoterapia de acordo com a necessidade:
- Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC): estruturada, com tarefas práticas, ótima para depressão, ansiedade, pânico, TOC (com ERP), insônia (CBT-I) e manejo de Burnout.
- Psicoterapia focada em trauma (ex.: TCC focada em trauma, EMDR): útil no TEPT, com protocolo claro e respeito ao seu ritmo.
- Terapia de Ritmo Social: alinha sono, refeições, atividade e contato social, essencial na bipolaridade.
- Psicoeducação: entender o que está acontecendo reduz culpa e aumenta adesão.
Eu não substituo o psicólogo; eu integro. Em muitos casos, alinho objetivos com a(o) terapeuta para que todos remem na mesma direção.
Acompanhamento contínuo – consultas regulares para ajustes de medicação e evolução clínica
Consultas de acompanhamento permitem três movimentos: medir resultado, ajustar rota e planejar próximos passos. Uso métricas simples (horas de sono, número de crises, tempo em rituais, dias produtivos) e marcos (voltar a dirigir, retomar estudo, reduzir faltas no trabalho). Com dados, evitamos decisões por impressão.
- Primeiras 4–8 semanas: retornos mais próximos para ajuste fino.
- Após estabilizar: espaçamento gradual, com plano de manutenção e sinais de alerta combinados.
- Mudanças de fase (viagens, novo emprego, pós-parto): reaproximo para prevenção.
Telemedicina em psiquiatria – atendimento online seguro e humanizado em todo o Brasil
A teleconsulta facilita continuidade e permite que eu veja seu contexto real (quarto, mesa de trabalho, rotina). A qualidade do cuidado é a mesma, com atenção a privacidade, segurança e documentos (receitas, atestados, orientações). Em situações que pedem exame físico ou avaliação presencial (risco agudo, confusão, necessidade de exames), priorizo o consultório.
Abordagem multidisciplinar – integração com outros profissionais da saúde quando necessário
Saúde mental raramente caminha sozinha. Quando preciso, integro:
- Psicologia (diversas abordagens, conforme o caso).
- Otorrinolaringologia (apneia do sono, ronco, obstruções).
- Clínica médica/endocrinologia (tireoide, metabolismo, deficiências).
- Nutrição e educação física (energia, sono, rotina de movimento).
- Fono/terapia ocupacional (função executiva, organização).
O objetivo é resolver o que sustenta o sofrimento, não apenas “apagar incêndio”.
Orientações sobre estilo de vida – sono, alimentação e manejo do estresse como parte do cuidado
Hábitos não são detalhe; são tratamento. Eu trabalho com três pilares:
- Sono: horário âncora para acordar, luz da manhã 15–30 min, cafeína até o início da tarde, telas mais cedo, ritual de desaceleração. Em insônia, aplico CBT-I (controle de estímulos, compressão do sono, agenda de preocupação).
- Movimento: caminhar 10–20 min já muda o jogo. O melhor exercício é o que acontece. Em depressão e ansiedade, movimento regular potencializa qualquer plano.
- Estresse: timeboxing (blocos de foco com pausas), fronteiras digitais (janelas sem notificação), pausas fisiológicas (respiração 4–6 por 2–3 min) e lazer agendado como compromisso de saúde.